O que é o Zen?
O Zen não é decididamente um sistema fundado na lógica e na análise. É algo antípoda da lógica e do modo dualístico de pensar. Pode haver um elemento intelectual no Zen, pois ele é a mente total onde encontramos muitas grandes coisas. Mas a mente não é um composto, que deva ser dividido em tantas faculdades, nada deixando após a dissecação. O Zen nada tem a ensinar, no que diz respeito à análise intelectual, nem impõe qualquer conjunto de doutrinas aos seus seguidores. A esse respeito, o Zen é caótico, se assim o quiserem chamar. Seus adeptos podem formular conjuntos de doutrinas, formulando-os porém por sua conta e para benefício próprio, e não do Zen. Portanto, não há, no Zen, livros sagrados ou assertivas dogmáticas, nem qualquer fórmula simbólica através da qual se obtenha um acesso à sua significação. Se me perguntassem o que ensina o Zen, responderia que ele nada ensina. Qualquer ensinamento que exista no Zen vem mediante nossa própria mente. Ensinamo-nos a nós mesmos. O Zen meramente aponta o caminho. A menos que consideremos este apontar como um ensinamento, nada há no Zen propositadamente estabelecido como doutrinas cardeais ou filosofia fundamental.O Zen sustenta ser budista, mas todos os ensinamentos budistas, do modo por que são propostos nos sutras e sastras, são tratados pelo Zen como mero papel, cuja utilidade consiste em limpar o lixo do intelecto, e nada mais. O Zen, entretanto, não é niilista. Todo niilismo é autodestrutivo, não termina em lugar nenhum. O negativismo é puro como um método, mas a verdade mais alta é uma afirmação. Quando se diz que o Zen não tem filosofia, que nega toda autoridade doutrinária, que põe de lado toda a literatura sagrada como inútil, não se pode esquecer que o Zen está sustentando, com essa negativa, algo completamente positivo e eternamente afirmativo.
